Por mais trabalho que dê para os pais, a birra significa que seu filho é capaz de expressar o que está sentindo

Sim, você leu certo. Inúmeros especialistas acreditam que a birra é, na verdade, positiva. Talvez não aparentemente para os pais, mas com certeza para os pequenos. Um sinal de que eles são saudáveis, capazes de sentir emoções e que se sentem seguros para expressar o que estão sentindo diante dos pais. E, por mais que seja trabalhoso aceitar uma criança cheia de “vontades”, acredite, vale o esforço. “Na educação tradicional, os pais repetem ‘você não tem que querer nada’, e depois que a criança cresce procuram ajuda profissional e falam que o filho não quer nada com nada”, diz a psicopedagoga Isa Minatel, autora do livro Crianças Sem Limites (Editora Chiado Brasil) e diretora pedagógica da escola de pais MundoemCores.com. Uma oportunidade para pensarmos no nosso padrão comportamental como adultos, não?

É importante observar, por outro lado, quando as birras passam do limite normal e alcançam o patológico. Em alguns casos, talvez sejam um alerta de que aquela criança tem uma dificuldade adicional, como TDAH ou autismo, e precisa de outros cuidados. “Se o seu filho se mostra muito agressivo, muito desatento, muito agitado, é hora de buscar um especialista, que inicialmente pode ser o próprio pediatra”, indica o pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. E caso seja necessário, ele vai solicitar a ajuda de outros profissionais, como um psicólogo e/ou psiquiatra. De modo geral, a própria escola costuma sinalizar quando o comportamento está indo longe demais. Se piorar em vez de melhorar ao longo dos anos, ou quando as reações da criança são tão fortes a ponto de ela ficar triste ou assustada com a maneira como ela própria agiu, é sinal de atenção.

Mas essas situações são raras. Como você vai descobrir, a tendência é que as crises se tornem cada vez mais espaçadas até desaparecerem por completo. O papel dos pais, além de compreender esses mecanismos e as necessidades por trás da birra, é oferecer meios de a criança aprender a se expressar de outras maneiras. Sempre se colocando no lugar dela, principalmente para evitar que esses momentos de estresse, com o tempo, atrapalhem o vínculo entre vocês. “Uma criança bem conectada (com a família) é uma criança que coopera”, resume Kate Orson, autora do recém-lançado livro Tears Heal – How to Listen to Our Children (“Lágrimas curam – como ouvir nossos filhos”). Pense nisso!

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